
A FAMÍLIA
A família desde sempre, constituiu um dos temas a volta do qual se debruçou uma série de estudos e inúmeros debates, dada a sua importância como célula vital e primeira sociedade natural. A família delineia-se, no desígnio de Deus, como «lugar primário da “humanização” da pessoa e da sociedade» e «berço da vida e do amor».
A família é importante e central em relação à pessoa. Neste berço da vida e do amor, o homem nasce e cresce: Na família, portanto, o dom recíproco de si por parte do homem e da mulher unidos em matrimónio cria um ambiente de vida no qual a criança pode nascer e desenvolver as suas potencialidades, tornar-se consciente da sua dignidade e preparar-se para enfrentar o seu destino único e irrepetível como pessoa humana. É a família, no seio da qual todo o homem recebe as primeiras e determinantes noções acerca da verdade e do bem, aprende o que significa amar e ser amado.
Reportando-me no Discurso do Presidente da CEP na abertura da Assembleia Plenária, que retoma desafios da visita Ad limina recentemente realizada, falando da «A Escola em Portugal» e «Toda a prioridade às crianças», retrata o mesmo tema da família sobre o qual a Igreja não cala suas convicções. E desta vez com mais realce a preocupante situação de uma grande parte das crianças no mundo está longe de ser satisfatória, por falta de condições que favoreçam o seu crescimento integral, apesar da existência de um instrumento jurídico internacional específico para a tutela dos direitos da criança. Os serviços sanitários, a alimentação adequada, possibilidade de receber um mínimo de formação escolar e um ambiente familiar são, constituem o garante de um crescimento integral da criança, prescindindo de todo e qualquer abuso ou violação dos seus direitos. A família, que vive construindo todos os dias uma rede de relações interpessoais, internas e externas, põe-se, por sua vez, como «a primeira e insubstituível escola de sociabilidade, exemplo e estímulo para as mais amplas relações comunitárias no respeito, na justiça, no diálogo, no amor».Reitera a tarefa e a alta responsabilidade e a grave obrigação do Estado de defender a instituição familiar” e dar prioridade da família sobre qualquer outra comunidade e sobre a própria realidade estatal e a denuncia todas as tendências e atitudes que ameaçam minar a realidade familiar que proximamente abordaremos. O nosso interesse nessa página era de realçar, numa primeira fase, a importância da família na sociedade e a grande relevância que atinge nesses últimos tempos, naobstante a nova mentalidade que procura distorcer a originalidade do seu genuíno conceito. É tarefa de todos e cada um em particular procurar descobrir o real sentido do que é ser família como “dom e compromisso”. Tentando dar algumas pistas para aquela reflexão, D. Jorge Ortiga alertou para que não se entenda a família como «um contrato» entre um homem e uma mulher, mas como «sacramento e, em consequência, dom de Deus».
Graciano

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